De servente de pedreiro na roça a intérprete de diplomatas e celebridades: a história sensacional de César Melo

Essa é mais uma daquelas histórias de vida que fazem a gente pensar duas vezes em desistir dos desafios que a vida nos reserva. César Melo nasceu numa fazenda produtora de cacau e seringa no interior da Bahia no município de Una.

Com 4 meses seus pais foram morar em Itabuna onde ele viveu até os 5 anos. Dai foi morar numa outra fazenda chamada Jubiabá localizado no município de Ituberá, onde trabalhou dos 5 aos 10 anos ajudando seu pai na colheita de leite de seringa e cacau. Quando tinha entre 10 e 11 anos, seus pais decidiram ir morar em Feira de Santana, num bairro muito pobre chamado Parque Panorama

Como não havia escola na roça, ele aprendeu a ler sozinho, aos 12 anos. Quando completou 15, ele ainda estava na 5ª série. Foi quando ele teve sua primeira aula de inglês e se apaixonou pelo idioma. Porém, vindo de família pobre, César não tinha dinheiro para pagar um curso e melhorar seu inglês, pois as aulas na escola não saciavam sua vontade de aprender. Mas, César deu um jeito.

Ele comprava revistas de música em inglês com as letras cifradas para quem quer aprender a tocar violão. Depois, conseguiu um dicionário emprestado, até que comprou seu próprio dicionário com o dinheiro que ganhava trabalhando como pedreiro. Levou um tempo para ele juntar a grana, já que dava quase todo seu salário para a mãe.

Um dia, César conheceu missionários que davam aulas de conversação de graça na Igreja dos Mórmons de Feira de Santana. Ele ia de casa até o local a pé. “Eu não entendia nada, mas adorava ficar ouvindo a galera falando inglês”, disse César.

“Uma vez, eu estava trabalhando de servente na reforma da casa do Arcebispo de Feira e a sobrinha dele estava chorando porque tinha uma prova de inglês e não sabia a matéria. Daí eu disse a ela que podia ensinar. Nossa, pra quê? Como um ajudante de pedreiro poderia saber inglês?”

Com muito esforço, dedicação, apesar da crítica de algumas pessoas que diziam que ele tinha ficado maluco, ele aprendeu o idioma e alçou voos que muita gente duvidou que ele fosse capaz. César trabalhou nas principais escolas de idiomas do país.

Atualmente, ele trabalha como intérprete, conectando pessoas que falam não só português e inglês, mas também espanhol e italiano. De servente de pedreiro, César virou um intérprete requisitado por presidentes, como a ex-presidente Dilma Rousseff, ex-primeira-dama e ex-secretária de estado dos EUA, Hillary Clinton, jogadores de futebol, incluindo Ronaldo Fenômeno e Messi, e artistas e celebridades nacionais e internacionais (Ivete Sangalo, Lenny Kravitz, Ben Harper, entre outros).

Que nos prova que quem quer vai lá e corre atrás de fazer acontecer

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E o Oscar vai para…

Assistir a entrega do Oscar, no Brasil, pra mim, tem um significado diferente. Eu adoro cinema. Um dos meus passatempos favoritos é assistir histórias em filmas e séries. O cinema já fez muito pela humanidade, mostrando histórias reais e fictícias que são verdadeiras metáforas. A capacidade de contar histórias, ou Storytelling, é o que faz a entrega do Oscar tão importante, porque o Oscar é o reconhecimento da criatividade de varias mentes que se unem para contar uma história.

Quando eu era adolescente na Bahia e ainda não sabia falar inglês, eu ficava encantado ao ouvir a Elisabete Hart (in memoriam) interpretando essa cerimônia na Globo. Sim, eu ouvia. Na nossa casa não tínhamos aparelho de televisão, então a gente ouvia tv pelo rádio. Eu ficava imaginando como era possível aquela transformação de uma língua para outra em tempo real, sem sequer passar pela minha cabeça que um dia, aquela seria a minha profissão.

É impressionante as voltas que a vida dá e o quanto a nossa realidade pode mudar.

Hoje já são três décadas desde que eu ouvi a entrega do Oscar pela primeira vez. A voz da Elisabete Hart, que ecoa pelo Cosmo, hoje é substituída pela competentíssima Anna Vianna. É um privilégio poder ouvir uma profissional tão competente. Eu aprendo muito quando ouço colegas que admiro interpretar, e com a Anna não é diferente.

Hoje, se eu fosse um dos eleitores do Oscar, eu certamente daria o prêmio para todas as pessoas que sonham. Mas não apenas que sonham. Agem. Trinta anos atrás eu jamais teria imaginado que um dia eu seria intérprete simultâneo. Sonhar é tecer a realidade na linha do tempo.

E o Oscar vai para quem sonha e realiza!